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Dos deuses maiores

Os deuses maiores governam fenômenos complexos que dependem da atuação conjunta dos princípios primordiais.

Enquanto os deuses primordiais representam condições e operações fundamentais da realidade, os deuses maiores manifestam Domínios como Vida, Morte, Ordem, identidade triádica, estrelas e planetas.

As páginas desta seção empregam os nomes preservados pela tradição ishkariana.

Kittukīn estabelece.
Balaṭbēl vivifica.
Mūtbēl encerra.
Napišṭēmu reúne aquilo que somos.
Kakkabbēl arde.
Bibbukīn sustenta mundos.

Esta página reúne 8 verbetes diretamente relacionados. Os endereços antigos continuam válidos e conduzem à seção correspondente.

Do deus maior da Vida.

Classificação: falso deus do Caos; deus maior.

Domínio: Vida.

Nome empregado: Balaṭbēl, segundo a tradição ishkariana.

Balaṭbēl representa o fenômeno do viver.

Seu Domínio não se limita a uma espécie, forma corporal, plano ou grau de inteligência. Ele abrange a Vida enquanto condição ontológica distinta da matéria simplesmente organizada.

Os estudiosos ishkarianos reconheciam nos organismos muitas propriedades também encontradas nas máquinas:

  • partes especializadas;
  • circulação;
  • transformação de matéria;
  • consumo de energia;
  • manutenção;
  • reparo;
  • resposta ao ambiente.

Ainda assim, recusavam concluir que viver fosse apenas funcionar.

Uma máquina pode possuir partes, consumir energia, realizar trabalho e reparar certos danos sem, por isso, tornar-se viva.

A diferença entre uma organização funcional e uma vida permanecia como objeto de investigação.

Por isso Balaṭbēl também era o deus diante do qual os sábios admitiam:

Ainda não sabemos.

Uma vida triádica reúne Corpo, Mente e Essência.

O Corpo oferece presença, sensação e ação física.

A Mente oferece pensamento, memória, lógica e controle consciente.

A Essência expressa comportamento e Potência.

Entretanto, a reunião desses componentes não deve ser confundida automaticamente com a Vida. Balaṭbēl representa precisamente aquilo que distingue o vivente de uma estrutura apenas funcional.

Balaṭbēl não é Banikīn.

Criar uma estrutura não significa necessariamente criar uma vida.

Também não é Kīndari.

Conservar uma função não significa necessariamente manter algo vivo.

Balaṭbēl relaciona-se com Napišṭēmu porque os seres vivos conhecidos em Calimera possuem Corpo, Mente e Essência.

Relaciona-se com Mūtbēl porque somente aquilo que vive pode morrer.

Balaṭbēl vivifica.

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Do deus maior dos Planetas.

Classificação: falso deus do Caos; deus maior.

Domínio: Planetas.

Nome empregado: Bibbukīn, segundo a tradição ishkariana.

Bibbukīn representa os mundos.

Planetas são organizações materiais em escala imensa.

Não são massas uniformes e imóveis. São estruturas compostas por matérias diferentes, distribuídas em regiões diferentes e submetidas a processos que atravessam períodos inconcebíveis.

Um planeta possui:

  • camadas;
  • movimentos;
  • ciclos;
  • diferenças de matéria;
  • diferenças de temperatura;
  • circulação;
  • relevo;
  • transformações internas e externas;
  • interação com outros corpos.

Esses componentes formam uma totalidade que nenhum observador individual consegue acompanhar integralmente.

Estudar um planeta era, para os ishkarianos, estudar uma obra que nenhum artesão mortal poderia terminar.

Uma cidade pode ser projetada.

Uma máquina pode ser montada.

Uma estrada pode ser construída.

Mas um mundo resulta da interação contínua entre matéria, energia, tempo, espaço e forças naturais em escalas muito superiores às obras mortais.

Por isso Bibbukīn representa não apenas o objeto planeta, mas o planeta enquanto grande organização natural.

Planetas podem oferecer condições nas quais a Vida aparece, transforma ambientes e cria novas relações.

Entretanto, Bibbukīn não é Balaṭbēl.

O planeta pode sustentar vidas sem ser a própria Vida.

Da mesma forma, a existência de um mundo não depende necessariamente da presença de seres vivos sobre ele.

Kakkabbēl representa as estrelas em torno das quais muitos mundos se organizam.

Geologia, órbita, matéria, energia e forças naturais pertencem à estrutura planetária de Bibbukīn.

Banikīn compõe.

Kīndari conserva.

Utaribni transforma e devolve.

Kittukīn torna compreensíveis as relações pelas quais um mundo permanece uma organização em vez de um amontoado arbitrário de matéria.

Bibbukīn sustenta mundos.

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Registro parcial da divindade da Vida e de sua relação com a Semente da Melancolia.

Estado canônico: parcial. Domínio, objeto e portadora estão firmes; manifestação e culto detalhado permanecem abertos.

Genetor é a divindade da Vida. Sua esfera não deve ser reduzida a cura: inclui geração, persistência, reprodução, crescimento e o custo de continuar existindo.

A Semente da Melancolia é o objeto divino associado a Genetor. Sua portadora é Tavi, a Criança dos Milagres. Tavi morre e retorna; o milagre não elimina a violência de cada morte nem transforma perseguição em proteção.

O arquivo não possui ainda uma forma visual definitiva para Genetor nem uma teologia integral de seus seguidores. A relação exata entre a vontade da divindade e os retornos de Tavi continua aberta.

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Do deus maior das Estrelas.

Classificação: falso deus do Caos; deus maior.

Domínio: Estrelas.

Nome empregado: Kakkabbēl, segundo a tradição ishkariana.

Kakkabbēl representa as estrelas.

As estrelas são algumas das maiores demonstrações visíveis da Ordem.

Nelas, vários princípios e processos fundamentais atuam conjuntamente durante períodos inconcebivelmente longos.

Uma estrela não é apenas luz no céu.

Nela existem:

  • matéria;
  • energia;
  • espaço;
  • tempo;
  • forças naturais;
  • criação;
  • manutenção;
  • transformação;
  • destruição.

Esses elementos não aparecem como partes isoladas. Eles formam uma única estrutura natural capaz de nascer, arder, transformar-se e chegar ao fim.

Por reunir tantos princípios em funcionamento conjunto, Kakkabbēl era contemplado menos como um soberano do céu e mais como a manifestação de uma grande estrutura natural.

A estrela demonstra que a Ordem pode produzir complexidade sem depender de uma construção mortal.

Ela não precisa ser compreendida para funcionar.

Ainda assim, pode ser observada, medida e estudada.

Biritkīn oferece extensão e posição.

Udmādidu oferece duração e sequência.

Zumrukīn oferece matéria.

Napḫuṣur oferece energia e transformação.

As Forças Naturais estabelecem interações entre os corpos e partículas que compõem a estrela.

Banikīn compõe sua estrutura.

Kīndari permite sua continuidade.

Utaribni participa de seu encerramento e da devolução de sua matéria.

Kittukīn torna essas relações regulares e, portanto, compreensíveis.

Kakkabbēl arde.

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Do deus maior da Ordem.

Classificação: falso deus do Caos; deus maior.

Domínio: Ordem.

Nome empregado: Kittukīn, segundo a tradição ishkariana.

Kittukīn é a Ordem.

A Ordem não é uma lei no sentido de mandamento. Ela não exige obediência moral, disciplina política ou submissão a uma autoridade.

Ela é regularidade.

Relação.

A possibilidade de compreender por que uma coisa produz efeito sobre outra.

O mundo não é uma sucessão arbitrária de acontecimentos. Uma pedra cai segundo relações. Uma estrela arde segundo relações. Um corpo vive segundo relações. Uma máquina se move segundo relações.

Essas relações pertencem ao Domínio de Kittukīn.

Kittukīn não entrega respostas.

Permite que respostas existam.

O desconhecido não é necessariamente desordenado. Não compreender alguma coisa significa que sua ordem ainda não foi encontrada ou compreendida.

Por isso matemáticos, filósofos, engenheiros, estudiosos e magos recorrem igualmente a Kittukīn.

Sua máxima é:

Aquilo que funciona possui uma razão, mesmo quando ainda não sabemos qual.

Kittukīn não é considerado criador de todas as coisas nem soberano dos demais deuses.

Ele representa aquilo pelo qual uma coisa pode relacionar-se regularmente com outra.

Sem Kittukīn, poderia haver existência, mas não funcionamento.

As partes de uma máquina não produziriam necessariamente um mecanismo.

Uma causa não conduziria regularmente a um efeito.

Uma fórmula não poderia ser compreendida ou repetida.

A Magia acontece quando um vivente compreende uma relação da Ordem e utiliza a si mesmo para operá-la.

O mago não obriga o mundo a abandonar suas regras.

Ele aprende onde e como tocá-las.

Por isso se ensina:

O ignorante pede ao mundo que obedeça.
O mago aprende onde tocá-lo.

A Magia depende de Kittukīn porque aquilo que o mago manipula pertence à Ordem.

Na Máquina, um procedimento compreendido é inscrito na própria obra.

Uma estrutura pode repetir aquilo que seu construtor compreendeu mesmo depois da morte desse construtor.

Assim nasceu a máxima:

A Máquina é conhecimento tornado matéria.

Uma engrenagem não compreende o movimento que transmite. Um mecanismo não compreende a tarefa que executa. Mas alguém compreendeu suficientemente a Ordem para construir matéria capaz de repetir esse conhecimento.

Para a tradição ishkariana, Magia e Máquina não são contrárias.

A Magia possui flexibilidade porque seu operador pensa.

A Máquina possui constância porque o mecanismo não precisa reaprender sua função a cada execução.

A forma mais elevada da tradição recebe o nome de Obra Inteira:

Compreender uma regra, executá-la conscientemente e construir, quando possível, uma forma pela qual esse conhecimento permaneça depois de nós.

Na fórmula ishkariana:

Kittukīn estabelece.

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Do deus maior da Morte.

Classificação: falso deus do Caos; deus maior.

Domínio: Morte.

Nome empregado: Mūtbēl, segundo a tradição ishkariana.

Mūtbēl representa a Morte.

Seu Domínio não deve ser confundido com destruição material, desmonte, dano, decomposição ou desaparecimento de uma estrutura.

Morrer é algo que acontece aos vivos.

Mūtbēl não é Utaribni.

Essa distinção é fundamental.

Uma máquina pode ser destruída.

Uma construção pode cair.

Um objeto pode ser despedaçado.

Uma teoria pode ser abandonada.

Um corpo pode sofrer destruição material.

Mas somente aquilo que vive pode morrer.

Utaribni encerra estruturas.

Mūtbēl encerra vidas.

A Morte rompe a condição pela qual uma organização era viva.

Ela não é apenas a interrupção de uma função isolada. Um organismo pode perder funções, partes ou capacidades e ainda permanecer vivo.

Da mesma maneira, a simples preservação da forma material de um corpo não significa que a vida permaneça nele.

Mūtbēl marca a passagem na qual o vivente deixa de viver.

Toda vida possui uma Alma individual.

A retirada da Alma provoca morte imediata.

Após uma morte causada por outro motivo, a Alma permanece intacta por algum tempo antes de iniciar seu processo de decomposição.

A Morte, portanto, afeta a unidade viva, mas não deve ser confundida com o destino posterior de todos os seus componentes.

A antiga Iškar não desenvolveu uma única resposta religiosa para tudo aquilo que acontece à Mente e à Essência após a morte.

A teologia ishkariana preservou a distinção entre aquilo que podia observar, aquilo que podia demonstrar e aquilo que ainda permanecia em aberto.

Balaṭbēl representa a Vida.

Mūtbēl representa seu encerramento.

Napišṭēmu representa a composição do indivíduo cuja vida pode terminar.

Utaribni pode destruir estruturas vivas ou não vivas, mas seu Domínio não é a Morte.

Mūtbēl encerra.

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Do deus maior do Corpo, da Mente e da Essência.

Classificação: falso deus do Caos; deus maior.

Domínio: Corpo, Mente e Essência.

Nome empregado: Napišṭēmu, segundo a tradição ishkariana.

Napišṭēmu representa o indivíduo enquanto composição.

Corpo.

Mente.

Essência.

Nenhum desses componentes, isoladamente, esgota aquilo que uma pessoa é.

Em uma vida triádica, a identidade pertence igualmente à união de Corpo, Mente e Essência. Nenhuma parte isolada é o indivíduo verdadeiro.

O Corpo oferece presença, sensação e ação física.

É pelo Corpo que o indivíduo ocupa materialmente um lugar, recebe estímulos e atua fisicamente sobre aquilo que o cerca.

O Corpo executa.

A Mente oferece pensamento, memória, lógica e controle consciente.

Ela formula, interpreta e processa.

A Mente compreende.

A Essência expressa o comportamento de algo: aquilo que faz, aquilo como que funciona e aquilo que pode vir a fazer.

Nos seres vivos, ela também pode ser compreendida como Potência, a capacidade latente de desenvolver comportamentos que o Corpo e a Mente atuais ainda não realizam.

A Essência participa da vontade.

Corpo, Mente e Essência possuem funções especializadas, mas não formam três pessoas.

A separação física ou planar desses componentes não duplica automaticamente o indivíduo enquanto a conexão entre eles permanece.

A pessoa está na relação entre suas partes, não em uma delas tomada isoladamente.

Quando uma nova vida surge, a encarnação vigente desse deus cria automaticamente uma Alma individual para ela.

Essa criação não depende de escolha consciente, pedido, mérito ou atendimento particular.

A Alma recebe uma transferência única de energia da Chama universal localizada no Outro Lugar. Depois dessa transferência, não permanece ligada continuamente à fonte.

Toda vida recebe uma Alma, sem exceção de espécie, inteligência, plano ou constituição.

A remoção da Alma provoca morte imediata.

Inanis destrói cada encarnação desse deus.

Quando Caos volta a despertar, o padrão divino reaparece com a mesma função e o mesmo Domínio, mas como um indivíduo diferente daquele que existiu anteriormente.

A criação das Almas volta a ocorrer como manifestação automática e inevitável do Domínio.

Napišṭēmu tornou-se particularmente importante para os magos ishkarianos porque Corpo, Mente e Essência participam da execução do ato mágico.

O indivíduo compreende uma relação da Ordem e utiliza aquilo que é para operá-la.

Assim nasceu uma definição clássica:

Magia é Napišṭēmu alcançando Kittukīn.

Napišṭēmu reúne aquilo que somos.

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Registro parcial da divindade da Morte, distinta da Manifestação da Morte.

Estado canônico: parcial. A identidade e o domínio estão consolidados; aparência, culto e história extensa permanecem abertos.

Requies é a divindade da Morte. Não deve ser confundido com a Manifestação da Morte, que administra o Concílio das Vozes e possui função própria.

Requies está ligado à Foice entre os objetos divinos. Seu portador conhecido é Valis, o Mago da Morte, que escuta Requies continuamente.

Morte, aqui, não é apenas violência ou cessação biológica. O domínio participa das relações entre fim, passagem, corpo, continuidade e aquilo que permanece depois de uma vida.

O arquivo ainda não consolida uma iconografia definitiva, um centro de culto único nem uma biografia completa. Esses vazios são preservados em vez de preenchidos automaticamente.

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