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Iškar

Classificação: povo morto; antiga cidade-Estado.

Princípios centrais: Ordem, Magia e Máquina.

Desfecho: guerra civil e fragmentação histórica.

Iškar foi uma cidade-Estado dedicada à Ordem.

Sua sociedade valorizava:

  • classificação;
  • hierarquia;
  • previsão;
  • estudo das relações;
  • magia;
  • tecnologia;
  • construção de sistemas capazes de compreender e operar a realidade.

A Ordem não era originalmente entendida como obediência moral ou submissão política.

Era aquilo que tornava relações, acontecimentos e mecanismos inteligíveis.

Iškar preservou conhecimentos mágicos e tecnológicos muito antigos.

Entretanto, apagou deliberadamente parte de sua procedência.

As tecnologias herdadas dos Hálwares e a origem da magia concedida por uma Manifestação de Caos deixaram de integrar a memória pública completa.

A cidade preservou instrumentos e métodos enquanto perdeu ou destruiu partes da história que explicavam como haviam sido obtidos.

Na tradição ishkariana mais antiga, Ordem, Magia e Máquina não eram caminhos incompatíveis.

Eram três dimensões de uma mesma busca.

A realidade possui relações e estruturas que podem ser investigadas.

O Verbo permite compreender e operar regras inscritas no Grande Mecanismo.

A matéria organizada pode executar processos, conservar instruções e produzir efeitos reproduzíveis.

Esses caminhos deveriam colaborar na construção daquilo que alguns chamavam de Obra Inteira.

Com o tempo, duas grandes correntes passaram a disputar o futuro de Iškar.

Uma defendia que a cidade deveria confiar exclusivamente na magia.

A outra defendia que deveria abandonar a magia e confiar apenas na máquina.

Cada corrente passou a considerar a outra:

  • dispensável;
  • perigosa;
  • impura;
  • incapaz de conduzir Iškar ao futuro.

A ruptura não ocorreu porque magia e tecnologia fossem naturalmente incompatíveis.

O conflito surgiu quando grupos políticos transformaram métodos diferentes em identidades excludentes.

A disputa tornou-se guerra civil.

A cidade empregou contra si mesma os conhecimentos que havia acumulado.

Máquinas, encantamentos, armas e sistemas de contenção foram utilizados por ambos os lados.

A guerra atingiu:

  • corpos;
  • edifícios;
  • arquivos;
  • instituições;
  • infraestrutura;
  • Corpo, Mente e Essência dos envolvidos.

A cidade deixou de ser apenas um lugar em conflito.

Tornou-se um mecanismo de autodestruição.

Šaharil tentou sustentar uma posição que integrasse Magia e Máquina.

Recusou escolher uma delas como única forma legítima de conhecimento.

Morreu no segundo dia da guerra, atingido por metal e consumido em um campo de Karmu Pashu.

As condições do campo alinharam:

  • Corpo;
  • Mente;
  • Essência;
  • lama de almas;
  • sangue;
  • fogo;
  • chuva.

Depois de um pacto silencioso com Caos, Šaharil renasceu das próprias cinzas e das cinzas de seus companheiros.

Passou a carregar consigo as almas daquela guerra.

A Maldição das Sombras das Ruínas pertence à história de Iškar.

Ela não deve ser confundida com o desastre posterior de Kišar.

Os dois acontecimentos possuem:

  • origens diferentes;
  • mecanismos diferentes;
  • vítimas diferentes;
  • consequências históricas próprias.

Iškar deixou de existir como cidade-Estado e como povo histórico independente.

Sua queda produziu três grandes continuidades:

  • Kišar;
  • Anšar;
  • os Mārū Iškarim.

Essas continuidades não foram simples cópias de Iškar.

Cada uma selecionou, rejeitou ou reinterpretou partes diferentes de sua herança.

Os Mārū Iškarim, também chamados Êxules, já possuíam correntes pacifistas antes da guerra.

Parte deles partiu antes da destruição completa.

Outros tornaram-se refugiados depois da queda.

Suas diásporas participaram posteriormente da formação de:

  • Tahyra;
  • Kyronis;
  • Itzamar;
  • Avernos.

Eles nunca constituíram um único povo homogêneo depois da dispersão.

Iškar continua presente por meio de:

  • arquivos;
  • ruínas;
  • técnicas;
  • máquinas;
  • fórmulas mágicas;
  • línguas;
  • tradições da Ordem;
  • descendentes;
  • casas nobres;
  • instituições derivadas.

A Casa Ishkael preserva uma relação especialmente forte com arquivos e conhecimento ishkarianos, mas não representa a sobrevivência integral de Iškar.

Iškar não caiu porque possuía Magia e Máquina.
Caiu porque cada metade decidiu que poderia tornar a outra desnecessária.