Dos povos mortos
Esta seção reúne povos que deixaram de existir como coletividades históricas independentes.
A expressão povo morto não significa necessariamente que todos os seus integrantes tenham sido exterminados.
Um povo pode morrer historicamente quando:
- sua identidade coletiva deixa de ser transmitida;
- sua sociedade se fragmenta;
- seus descendentes formam outros povos;
- suas instituições desaparecem;
- sua língua deixa de possuir uma comunidade própria;
- sua organização é absorvida por sociedades posteriores.
Vestígios podem permanecer durante milênios.
Ishkar foi uma sociedade central para o desenvolvimento da Ordem, da Magia, da Máquina e de tradições técnicas que influenciaram povos posteriores.
Sua queda produziu dispersões, refugiados e diásporas que participaram da formação de outras sociedades.
Kishar surgiu no contexto posterior à queda de Ishkar e pertence à história das grandes reorganizações que seguiram a guerra civil ishkariana.
Sua identidade histórica não permanece como um povo vivente independente no período atual.
Anshar também surgiu da reorganização posterior à queda de Ishkar.
Sua história, religião, isolamento e destruição deixaram vestígios entre sociedades posteriores, mas Anshar não permanece como povo independente.
Da sobrevivência dos vestígios
Seção intitulada “Da sobrevivência dos vestígios”Um povo morto pode permanecer presente por meio de:
- descendentes;
- ruínas;
- arquivos;
- religiões;
- línguas;
- técnicas;
- objetos;
- instituições;
- traumas;
- reivindicações políticas;
- memórias incompletas.
A morte de um povo não encerra automaticamente seus efeitos sobre o presente.
Índice da compilação
Seção intitulada “Índice da compilação”Esta página reúne 3 verbetes diretamente relacionados. Os endereços antigos continuam válidos e conduzem à seção correspondente.
Do antigo país tecnológico de Zarqād e de seus remanescentes.
Classificação: povo morto como unidade histórica; antigo país sucessor de Iškar.
Orientação histórica: via tecnológica.
Território histórico: Zarqād.
Da origem
Seção intitulada “Da origem”Anšar surgiu depois da queda de Iškar.
Entre os grandes sucessores da cidade-Estado, desenvolveu principalmente a via tecnológica.
Anšar foi um país.
Zarqād era o território continental no qual esse país se estabeleceu.
Os dois nomes não devem ser tratados como sinônimos.
Da tecnologia
Seção intitulada “Da tecnologia”A sociedade anšarita desenvolveu sistemas tecnológicos capazes de reorganizar profundamente:
- habitação;
- transporte;
- energia;
- sobrevivência;
- comunicação;
- exploração espacial;
- adaptação ambiental.
Depois da queda de Iškar, a tecnologia tornou-se um dos principais fundamentos de sua identidade coletiva.
Dos Elû Anšarim
Seção intitulada “Dos Elû Anšarim”Parte da população redescobriu religião e magia.
Esse grupo tornou-se conhecido como Elû Anšarim.
A separação entre os Anšaritas e os Elû Anšarim foi pacífica.
Não houve uma guerra de expulsão entre os dois grupos.
Os Elû Anšarim partiram primeiro para as luas e depois para regiões mais distantes do universo.
Os demais permaneceram em Calimera.
Dos rastros celestes
Seção intitulada “Dos rastros celestes”Estações, bóias, mapas, rotas e rastros celestes gerais pertencem principalmente aos Elû Anšarim.
Não devem ser atribuídos automaticamente a Kišar.
Os Elû Anšarim tornaram-se responsáveis por grande parte da infraestrutura e dos vestígios encontrados fora de Calimera.
Da catástrofe de Zarqād
Seção intitulada “Da catástrofe de Zarqād”Muito depois da separação dos Elû Anšarim, uma catástrofe tornou grande parte de Zarqād altamente radioativa.
A origem do desastre não é lembrada publicamente.
Também não existe, no presente, uma ligação reconhecida entre a catástrofe e o acontecimento que a provocou.
As pessoas que conheciam essa relação escolheram não transmiti-la.
A revelação ameaçaria desmontar a organização social dos sobreviventes.
Da radioatividade
Seção intitulada “Da radioatividade”Grande parte do antigo território tornou-se incapaz de sustentar populações sem adaptações extremas.
A ocupação recuou historicamente em quatro grandes movimentos:
- deslocamento para o litoral;
- refúgio em cidades subterrâneas;
- fragmentação em comunidades dispersas;
- retorno de populações adaptadas ao interior radioativo.
O último movimento só ocorreu quando determinadas populações já conseguiam suportar níveis extremos de radiação.
Dos quatro povos de Zarqād
Seção intitulada “Dos quatro povos de Zarqād”Desses processos surgiram quatro povos continentais aparentados:
- povos costeiros;
- povos subterrâneos;
- comunidades dispersas;
- habitantes plenamente adaptados do interior.
Eles possuem uma origem histórica relacionada, mas não formam necessariamente um único povo contemporâneo.
O termo anšarita não deve ser usado automaticamente como etnônimo para todos eles.
Do assentamento em Avernos
Seção intitulada “Do assentamento em Avernos”Existe também uma comunidade descendente de Anšar estabelecida em Avernos.
Ela se separou antes de a diferenciação dos quatro povos de Zarqād completar-se.
As comunidades continentais e a comunidade averniana mantêm relações:
- pacíficas;
- distantes;
- culturalmente relacionadas;
- politicamente independentes.
Elas se consideram partes do mesmo povo em sentido amplo, mas não constituem uma unidade política.
De Namar-Anšar
Seção intitulada “De Namar-Anšar”O assentamento averniano é conhecido como Namar-Anšar.
Encontra-se fisicamente no continente controlado por Avernos, mas fora do reino averniano.
Preserva tecnologias anšaritas.
Essas tecnologias são interpretadas religiosamente e não são compartilhadas livremente por causa de proibições doutrinárias.
Avernos reivindica o território, mas não possui capacidade militar para conquistá-lo.
Da reivindicação sobre Zarqād
Seção intitulada “Da reivindicação sobre Zarqād”Avernos também mantém reivindicações sobre Zarqād.
Não consegue ocupá-lo efetivamente.
Os povos locais não conseguem eliminar definitivamente a pretensão averniana, enquanto Avernos não consegue transformá-la em controle real.
A disputa sobrevive principalmente em:
- mapas;
- documentos jurídicos;
- arquivos;
- discursos diplomáticos;
- reivindicações históricas.
Da religião
Seção intitulada “Da religião”Os povos de Zarqād conhecem os Elû Anšarim principalmente como figuras religiosas.
A tecnologia ancestral, a partida para as estrelas e os vestígios deixados no céu foram incorporados a interpretações sagradas.
Essa religião contribui para que remanescentes continentais sejam vistos com desconfiança por sociedades externas.
Da condição de povo morto
Seção intitulada “Da condição de povo morto”Anšar deixou de existir como país e como povo político unificado.
Entretanto, seus descendentes não desapareceram.
A categoria de povo morto refere-se à morte da unidade histórica chamada Anšar, não ao extermínio integral de todas as populações relacionadas.
Dos pontos ainda abertos
Seção intitulada “Dos pontos ainda abertos”Ainda não estão completamente definidos:
- o mapa político atual de Zarqād;
- os nomes definitivos dos quatro povos;
- a população dos pequenos remanescentes continentais;
- suas fronteiras;
- a causa publicamente conhecida para a catástrofe;
- todas as relações entre religião e tecnologia;
- as rotas entre Zarqād e Namar-Anšar.
Esses pontos não devem ser preenchidos por dedução.
Da fórmula
Seção intitulada “Da fórmula”Anšar morreu como unidade.
Seus descendentes sobreviveram ao aprender maneiras diferentes de habitar a mesma catástrofe.
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Da cidade-Estado da Ordem e de sua queda na guerra entre Magia e Máquina.
Classificação: povo morto; antiga cidade-Estado.
Princípios centrais: Ordem, Magia e Máquina.
Desfecho: guerra civil e fragmentação histórica.
Da cidade-Estado
Seção intitulada “Da cidade-Estado”Iškar foi uma cidade-Estado dedicada à Ordem.
Sua sociedade valorizava:
- classificação;
- hierarquia;
- previsão;
- estudo das relações;
- magia;
- tecnologia;
- construção de sistemas capazes de compreender e operar a realidade.
A Ordem não era originalmente entendida como obediência moral ou submissão política.
Era aquilo que tornava relações, acontecimentos e mecanismos inteligíveis.
Da origem apagada
Seção intitulada “Da origem apagada”Iškar preservou conhecimentos mágicos e tecnológicos muito antigos.
Entretanto, apagou deliberadamente parte de sua procedência.
As tecnologias herdadas dos Hálwares e a origem da magia concedida por uma Manifestação de Caos deixaram de integrar a memória pública completa.
A cidade preservou instrumentos e métodos enquanto perdeu ou destruiu partes da história que explicavam como haviam sido obtidos.
Da Obra Inteira
Seção intitulada “Da Obra Inteira”Na tradição ishkariana mais antiga, Ordem, Magia e Máquina não eram caminhos incompatíveis.
Eram três dimensões de uma mesma busca.
A realidade possui relações e estruturas que podem ser investigadas.
O Verbo permite compreender e operar regras inscritas no Grande Mecanismo.
Máquina
Seção intitulada “Máquina”A matéria organizada pode executar processos, conservar instruções e produzir efeitos reproduzíveis.
Esses caminhos deveriam colaborar na construção daquilo que alguns chamavam de Obra Inteira.
Da radicalização
Seção intitulada “Da radicalização”Com o tempo, duas grandes correntes passaram a disputar o futuro de Iškar.
Uma defendia que a cidade deveria confiar exclusivamente na magia.
A outra defendia que deveria abandonar a magia e confiar apenas na máquina.
Cada corrente passou a considerar a outra:
- dispensável;
- perigosa;
- impura;
- incapaz de conduzir Iškar ao futuro.
A ruptura não ocorreu porque magia e tecnologia fossem naturalmente incompatíveis.
O conflito surgiu quando grupos políticos transformaram métodos diferentes em identidades excludentes.
Da guerra civil
Seção intitulada “Da guerra civil”A disputa tornou-se guerra civil.
A cidade empregou contra si mesma os conhecimentos que havia acumulado.
Máquinas, encantamentos, armas e sistemas de contenção foram utilizados por ambos os lados.
A guerra atingiu:
- corpos;
- edifícios;
- arquivos;
- instituições;
- infraestrutura;
- Corpo, Mente e Essência dos envolvidos.
A cidade deixou de ser apenas um lugar em conflito.
Tornou-se um mecanismo de autodestruição.
De Šaharil
Seção intitulada “De Šaharil”Šaharil tentou sustentar uma posição que integrasse Magia e Máquina.
Recusou escolher uma delas como única forma legítima de conhecimento.
Morreu no segundo dia da guerra, atingido por metal e consumido em um campo de Karmu Pashu.
As condições do campo alinharam:
- Corpo;
- Mente;
- Essência;
- lama de almas;
- sangue;
- fogo;
- chuva.
Depois de um pacto silencioso com Caos, Šaharil renasceu das próprias cinzas e das cinzas de seus companheiros.
Passou a carregar consigo as almas daquela guerra.
Da Maldição das Sombras das Ruínas
Seção intitulada “Da Maldição das Sombras das Ruínas”A Maldição das Sombras das Ruínas pertence à história de Iškar.
Ela não deve ser confundida com o desastre posterior de Kišar.
Os dois acontecimentos possuem:
- origens diferentes;
- mecanismos diferentes;
- vítimas diferentes;
- consequências históricas próprias.
Da queda
Seção intitulada “Da queda”Iškar deixou de existir como cidade-Estado e como povo histórico independente.
Sua queda produziu três grandes continuidades:
Essas continuidades não foram simples cópias de Iškar.
Cada uma selecionou, rejeitou ou reinterpretou partes diferentes de sua herança.
Dos Mārū Iškarim
Seção intitulada “Dos Mārū Iškarim”Os Mārū Iškarim, também chamados Êxules, já possuíam correntes pacifistas antes da guerra.
Parte deles partiu antes da destruição completa.
Outros tornaram-se refugiados depois da queda.
Suas diásporas participaram posteriormente da formação de:
Eles nunca constituíram um único povo homogêneo depois da dispersão.
Da herança
Seção intitulada “Da herança”Iškar continua presente por meio de:
- arquivos;
- ruínas;
- técnicas;
- máquinas;
- fórmulas mágicas;
- línguas;
- tradições da Ordem;
- descendentes;
- casas nobres;
- instituições derivadas.
A Casa Ishkael preserva uma relação especialmente forte com arquivos e conhecimento ishkarianos, mas não representa a sobrevivência integral de Iškar.
Da fórmula
Seção intitulada “Da fórmula”Iškar não caiu porque possuía Magia e Máquina.
Caiu porque cada metade decidiu que poderia tornar a outra desnecessária.
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Do povo herdeiro da via mágica de Iškar e de sua queda pelas Almas artificiais.
Classificação: povo morto; antigo Estado sucessor de Iškar.
Orientação histórica: via mágica.
Desfecho: desastre relacionado à produção de Chamas das Almas artificiais.
Da origem
Seção intitulada “Da origem”Kišar surgiu da queda de Iškar.
Entre os grandes grupos formados depois da guerra civil, Kišar preservou e desenvolveu principalmente a via mágica.
Isso não significa que tenha abandonado toda tecnologia.
Significa que a magia ocupou posição central em:
- pesquisa;
- poder;
- instituições;
- projetos de transformação;
- compreensão da vida;
- tentativa de superar limites ontológicos.
Da continuidade ishkariana
Seção intitulada “Da continuidade ishkariana”- conhecimentos mágicos;
- sistemas de classificação;
- arquivos;
- ambições de controle;
- técnicas de experimentação;
- a crença de que a realidade poderia ser compreendida e operada.
Ao mesmo tempo, desenvolveu uma identidade própria.
Kišar não deve ser tratado apenas como o lado mágico de Iškar sobrevivendo sem alterações.
Das Chamas das Almas artificiais
Seção intitulada “Das Chamas das Almas artificiais”O projeto mais destrutivo de Kišar buscou produzir Chamas das Almas artificiais.
Uma Alma verdadeira não é simplesmente:
- energia;
- memória;
- consciência;
- personalidade;
- combustível;
- conjunto de instruções.
Ela é um objeto individual criado no nascimento de uma vida pela manifestação do Domínio responsável pelas Almas.
Kišar tentou produzir artificialmente algo equivalente.
Dos experimentos com Hivaros
Seção intitulada “Dos experimentos com Hivaros”Os experimentos envolveram Hivaros.
A extensão completa dos procedimentos não deve ser reconstruída por suposição.
O que está estabelecido é que o projeto de Almas artificiais:
- utilizou seres vivos;
- alterou estruturas profundas;
- produziu consequências fora do controle dos pesquisadores;
- participou diretamente da queda de Kišar.
Dos Šērū Kišarim
Seção intitulada “Dos Šērū Kišarim”O desastre relaciona-se aos Šērū Kišarim.
Sua natureza integral ainda não deve ser reduzida a uma única explicação simples.
Eles pertencem ao conjunto de consequências produzidas pela tentativa de Kišar de criar aquilo que não compreendia suficientemente.
Da Floresta Pálida
Seção intitulada “Da Floresta Pálida”A queda de Kišar também se relaciona à Floresta Pálida.
Esse ambiente não funciona como uma floresta comum.
Sua biota branca não depende da fotossíntese comum e relaciona-se ao consumo ou à aquisição de conhecimento.
A relação exata entre os experimentos, as Almas artificiais e a formação ou transformação da Floresta Pálida deve permanecer limitada ao que for confirmado em fontes específicas.
Dos escudos
Seção intitulada “Dos escudos”A instabilidade dos escudos de Kišar participou do desastre.
Esses sistemas deveriam isolar, conter ou proteger regiões e experimentos.
Quando se tornaram instáveis, deixaram de separar adequadamente:
- interior e exterior;
- áreas seguras e contaminadas;
- experimentos e população;
- efeitos locais e propagação ambiental.
Da queda
Seção intitulada “Da queda”Kišar não caiu por causa da Maldição das Sombras das Ruínas.
Essa maldição pertence a Iškar.
A queda de Kišar decorreu do projeto das Almas artificiais e das consequências associadas a ele.
Essa distinção deve ser preservada.
Da ruína flutuante
Seção intitulada “Da ruína flutuante”Existe apenas uma ruína flutuante kišarita conhecida.
Outras estruturas celestes, estações, bóias, mapas e rastros espaciais gerais não devem ser atribuídos automaticamente a Kišar.
Grande parte desse material pertence aos Elû Anšarim.
Do antigo território
Seção intitulada “Do antigo território”Senkara e Teku Apyka compartilham atualmente o antigo continente de Kišar.
Isso não significa que qualquer uma das duas sociedades seja uma continuação direta do antigo Estado.
Elas possuem origens e identidades próprias.
Dos vestígios
Seção intitulada “Dos vestígios”A herança kišarita permanece em:
- ruínas;
- laboratórios;
- mecanismos;
- pesquisas mágicas;
- materiais alterados;
- áreas contaminadas;
- criaturas transformadas;
- arquivos incompletos;
- tecnologias posteriormente reutilizadas.
Portenemor, por exemplo, foi construída ao redor de um antigo laboratório subterrâneo de Kišar.
Da fórmula
Seção intitulada “Da fórmula”Kišar tentou fabricar aquilo que distingue a vida individual.
O resultado não foi uma nova origem.
Foi uma ferida que continuou produzindo consequências.