Dos deuses primordiais
Os deuses primordiais são padrões divinos criados diretamente pelo Caos.
Seu Domínio não é uma habilidade que carregam. Ele é parte constitutiva de cada divindade: o deus pertence ao Domínio, o Domínio pertence ao deus e, em sentido ontológico, ambos são o mesmo ser.
Quando Inanis destrói uma encarnação, o despertar seguinte do Caos faz o mesmo padrão reaparecer. A nova divindade possui o mesmo Domínio e desempenha a mesma função, mas não é o mesmo indivíduo que existiu no ciclo anterior.
As páginas desta seção empregam os nomes preservados pela tradição ishkariana.
Dos Fundamentos
Seção intitulada “Dos Fundamentos”A teologia ishkariana chama de Fundamentos os cinco deuses que representam aquilo sem o qual nenhuma operação pode ocorrer:
- Biritkīn — Espaço
- Udmādidu — Tempo
- Zumrukīn — Matéria
- Napḫuṣur — Energia
- [[…] — Forças Naturais](./forcas-naturais/)
Dos Operadores
Seção intitulada “Dos Operadores”A mesma tradição chama de Operadores os três deuses que governam as grandes operações atravessadas por toda estrutura:
Da fórmula ishkariana
Seção intitulada “Da fórmula ishkariana”Biritkīn dá lugar.
Udmādidu dá sequência.
Zumrukīn recebe.
Napḫuṣur move.
[…] age entre as coisas.
Banikīn compõe.
Kīndari conserva.
Utaribni devolve.
Índice da compilação
Seção intitulada “Índice da compilação”Esta página reúne 8 verbetes diretamente relacionados. Os endereços antigos continuam válidos e conduzem à seção correspondente.
- […] — Forças Naturais
- Banikīn — Criação
- Biritkīn — Espaço
- Kīndari — Manutenção
- Napḫuṣur — Energia
- Udmādidu — Tempo
- Utaribni — Reciclagem e Destruição
- Zumrukīn — Matéria
[…] — Forças Naturais
Seção intitulada “[…] — Forças Naturais”Do deus primordial das Forças Naturais, cujo nome foi apagado.
Classificação: falso deus do Caos; deus primordial.
Domínio: Forças Naturais.
Nome: apagado.
Do nome ausente
Seção intitulada “Do nome ausente”Seu nome não foi lentamente esquecido.
Foi apagado.
Os textos preservam o lugar que ocupava entre os deuses, seu Domínio e suas relações. Entretanto, onde deveria aparecer seu nome encontra-se somente:
[…]
A ausência não é uma convenção dos copistas nem uma lacuna causada pela perda de um documento. O próprio nome deixou de permanecer nos registros.
Do Domínio
Seção intitulada “Do Domínio”[…] representa as forças pelas quais a matéria atua sobre matéria e os corpos afetam outros corpos.
A gravidade está contida nesse Domínio, mas não o esgota. Ela é uma expressão entre as Forças Naturais governadas pela divindade, não a totalidade daquilo que ela é.
Seu Domínio estabelece interações pelas quais os corpos atraem, repelem, pressionam, resistem ou produzem alterações uns nos outros.
Do paradoxo ishkariano
Seção intitulada “Do paradoxo ishkariano”Para os ishkarianos, o deus apagado tornou-se uma demonstração desconfortável da própria doutrina da Ordem:
É possível conhecer uma função sem conhecer aquele que a ocupa.
A função permaneceu compreensível.
As relações permaneceram observáveis.
O lugar teológico permaneceu preservado.
Somente o nome desapareceu.
Das relações
Seção intitulada “Das relações”Zumrukīn oferece a matéria sobre a qual as forças atuam.
Biritkīn oferece distância, direção e posição às interações.
Udmādidu permite que seus efeitos ocorram em sequência.
Napḫuṣur participa das transferências e transformações produzidas por essas interações.
Na fórmula ishkariana:
[…] age entre as coisas.
O nome desapareceu.
A Ordem permaneceu.
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Banikīn — Criação
Seção intitulada “Banikīn — Criação”Do deus primordial da Criação.
Classificação: falso deus do Caos; deus primordial.
Domínio: Criação.
Nome empregado: Banikīn, segundo a tradição ishkariana.
Da natureza de Banikīn
Seção intitulada “Da natureza de Banikīn”Banikīn é composição.
É fazer surgir uma configuração que antes não existia.
Uma cidade erguida.
Uma máquina construída.
Um encantamento criado.
Uma teoria formulada.
Da Criação
Seção intitulada “Da Criação”Banikīn não exige criação a partir do nada.
Criar é estabelecer uma nova ordem entre coisas que já podiam existir.
A matéria pode ser antiga.
As partes podem ter servido anteriormente a outras estruturas.
O conhecimento empregado pode ter sido herdado.
Ainda assim, quando essas partes passam a formar uma configuração que antes não existia, há Criação.
Dos três Operadores
Seção intitulada “Dos três Operadores”Banikīn é o primeiro dos três Operadores reconhecidos pela tradição ishkariana.
Ele compõe aquilo que Kīndari conservará e que Utaribni, quando sua configuração chegar ao fim, poderá devolver.
Banikīn e Utaribni não são inimigos. Criação e Destruição pertencem ao mesmo ciclo de organização, permanência e retorno.
Existe um provérbio ishkariano:
Banikīn recebe o nome gravado na obra.
Kīndari impede que a inscrição caia com ela.
Na fórmula dos Operadores:
Banikīn compõe.
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Biritkīn — Espaço
Seção intitulada “Biritkīn — Espaço”Do deus primordial do Espaço.
Classificação: falso deus do Caos; deus primordial.
Domínio: Espaço.
Nome empregado: Biritkīn, segundo a tradição ishkariana.
Da natureza de Biritkīn
Seção intitulada “Da natureza de Biritkīn”Biritkīn é extensão, posição, distância e disposição.
Seu Domínio permite que coisas diferentes ocupem lugares diferentes e que relações espaciais possam existir entre elas. Perto e longe, dentro e fora, origem e destino, direção e alcance pertencem à sua ordem.
Biritkīn não deve ser entendido apenas como senhor de uma região vazia. Ele é o próprio princípio pelo qual algo pode estar situado.
Da necessidade do Espaço
Seção intitulada “Da necessidade do Espaço”Toda máquina necessita que suas partes estejam em algum lugar.
Toda construção começa pela relação entre lugares.
Todo corpo possui extensão e posição.
Todo feitiço possui uma origem, uma direção, um alcance ou uma área sobre a qual atua.
Sem Biritkīn, não haveria disposição entre partes, distância entre corpos nem lugar no qual qualquer processo pudesse ocorrer.
Das relações
Seção intitulada “Das relações”Biritkīn dá lugar à matéria de Zumrukīn.
Permite que a energia de Napḫuṣur atravesse distâncias.
Oferece posição às estruturas compostas por Banikīn, conservadas por Kīndari e desfeitas por Utaribni.
Na fórmula ishkariana:
Biritkīn dá lugar.
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Kīndari — Manutenção
Seção intitulada “Kīndari — Manutenção”Do deus primordial da Manutenção.
Classificação: falso deus do Caos; deus primordial.
Domínio: Manutenção.
Nome empregado: Kīndari, segundo a tradição ishkariana.
Da natureza de Kīndari
Seção intitulada “Da natureza de Kīndari”Kīndari é continuidade funcional.
Aquilo que é criado precisa permanecer.
Uma estrutura não continua funcionando apenas porque foi corretamente construída. Sua existência prolongada depende de observação, correção, reparo e transmissão.
Da atividade sagrada
Seção intitulada “Da atividade sagrada”Pontes precisam ser examinadas.
Máquinas precisam ser reparadas.
Conhecimento precisa ser ensinado.
Corpos precisam ser cuidados.
Por isso a manutenção era considerada uma atividade sagrada na antiga Iškar.
Consertar uma ferramenta, preservar um arquivo, ensinar uma técnica ou impedir a ruína prematura de uma obra eram atos associados ao Domínio de Kīndari.
Dos três Operadores
Seção intitulada “Dos três Operadores”Banikīn estabelece uma nova configuração.
Kīndari impede que ela se perca apenas pela negligência, pelo desgaste ou pela interrupção de sua função.
Utaribni age quando a configuração chegou verdadeiramente ao fim e precisa ser desmontada ou devolvida.
Existe um provérbio ishkariano:
Banikīn recebe o nome gravado na obra.
Kīndari impede que a inscrição caia com ela.
Na fórmula dos Operadores:
Kīndari conserva.
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Napḫuṣur — Energia
Seção intitulada “Napḫuṣur — Energia”Do deus primordial da Energia.
Classificação: falso deus do Caos; deus primordial.
Domínio: Energia.
Nome empregado: Napḫuṣur, segundo a tradição ishkariana.
Da natureza de Napḫuṣur
Seção intitulada “Da natureza de Napḫuṣur”Napḫuṣur é aquilo que permite a transformação.
Movimento, calor, trabalho, descarga e transferência encontram nele sua expressão divina.
Seu Domínio não se limita a uma fonte energética particular. Ele abrange aquilo que permite a passagem entre estados, o movimento dos corpos e a realização efetiva de uma operação.
Da potência sem execução
Seção intitulada “Da potência sem execução”Uma máquina sem Napḫuṣur pode estar inteiramente construída e ainda assim permanecer imóvel.
Um encantamento sem potência pode existir como conhecimento correto e, apesar disso, não produzir efeito.
A matéria oferece aquilo que pode ser transformado. A energia permite que a transformação efetivamente aconteça.
Das relações
Seção intitulada “Das relações”Zumrukīn recebe forma, enquanto Napḫuṣur permite que aquilo que recebeu forma se mova, aqueça, transfira ou realize trabalho.
Biritkīn oferece o espaço através do qual a energia se distribui.
Udmādidu permite que a transformação possua sequência.
As Forças Naturais determinam modos pelos quais matéria e energia interagem.
Na fórmula ishkariana:
Napḫuṣur move.
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Udmādidu — Tempo
Seção intitulada “Udmādidu — Tempo”Do deus primordial do Tempo.
Classificação: falso deus do Caos; deus primordial.
Domínio: Tempo.
Nome empregado: Udmādidu, segundo a tradição ishkariana.
Da natureza de Udmādidu
Seção intitulada “Da natureza de Udmādidu”Udmādidu é sequência, duração e mudança.
Algo acontece antes.
Algo acontece depois.
Uma ação produz outra.
O Tempo não é apresentado apenas como uma medida criada por observadores. Ele é a condição pela qual processos podem possuir ordem, acontecimentos podem suceder outros acontecimentos e estados podem transformar-se.
Da necessidade do Tempo
Seção intitulada “Da necessidade do Tempo”Uma máquina depende de sequência.
Um ritual depende de sucessão.
Uma construção precisa atravessar etapas.
Uma estrutura pode ser criada, permanecer durante certo período e, por fim, ser desfeita.
Sem Udmādidu, não haveria processo. Tudo estaria privado de antes, depois, duração e transformação.
Das relações
Seção intitulada “Das relações”Banikīn depende do Tempo para que a composição possa ocorrer.
Kīndari atua sobre aquilo que continua existindo durante uma duração.
Utaribni encerra configurações que chegaram ao fim de seu percurso.
A transformação possibilitada por Napḫuṣur também necessita de uma passagem entre um estado e outro.
Na fórmula ishkariana:
Udmādidu dá sequência.
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Utaribni — Reciclagem e Destruição
Seção intitulada “Utaribni — Reciclagem e Destruição”Do deus primordial da Reciclagem e da Destruição.
Classificação: falso deus do Caos; deus primordial.
Domínio: Reciclagem e Destruição.
Nome empregado: Utaribni, segundo a tradição ishkariana.
Da natureza de Utaribni
Seção intitulada “Da natureza de Utaribni”Utaribni desfaz aquilo cuja configuração chegou ao fim.
Não é inimigo de Banikīn.
É seu complemento.
A Destruição de Utaribni não deve ser reduzida à violência indiscriminada. Seu Domínio inclui o desmonte, o encerramento de estruturas e a devolução de suas partes a novas possibilidades.
Da devolução
Seção intitulada “Da devolução”Uma estrutura quebrada pode ser desmontada.
A matéria pode retornar.
As peças podem encontrar outra função.
Uma teoria errada pode ser abandonada.
Uma construção perigosa pode precisar cair.
Aquilo que foi composto não precisa permanecer eternamente na mesma configuração.
Da distinção entre Destruição e Morte
Seção intitulada “Da distinção entre Destruição e Morte”Utaribni não é o deus da Morte.
Uma máquina pode ser destruída.
Um corpo pode ser despedaçado.
Uma teoria pode ser desfeita.
Somente aquilo que vive pode morrer, e a Morte pertence a outra divindade.
Utaribni encerra estruturas. A Morte encerra vidas.
Dos três Operadores
Seção intitulada “Dos três Operadores”Banikīn cria uma configuração.
Kīndari conserva sua continuidade funcional.
Utaribni devolve suas partes quando a configuração chega ao fim.
A doutrina ishkariana resume essa relação:
Destruir sem necessidade é desperdício.
Recusar-se a destruir aquilo que já causa dano também é erro.
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Zumrukīn — Matéria
Seção intitulada “Zumrukīn — Matéria”Do deus primordial da Matéria.
Classificação: falso deus do Caos; deus primordial.
Domínio: Matéria.
Nome empregado: Zumrukīn, segundo a tradição ishkariana.
Da natureza de Zumrukīn
Seção intitulada “Da natureza de Zumrukīn”Zumrukīn é aquilo que recebe forma.
Metal.
Rocha.
Carne.
Madeira.
Vidro.
Todo corpo material pertence ao seu Domínio.
Zumrukīn não representa uma forma particular de matéria, uma substância específica ou um único estado material. Seu Domínio abrange a própria materialidade sobre a qual formas, estruturas e corpos podem existir.
Da obra material
Seção intitulada “Da obra material”Os artesãos ishkarianos afirmavam que nenhuma ideia se torna obra enquanto não encontra algo capaz de recebê-la.
Uma planta pode descrever uma construção.
Uma fórmula pode descrever um mecanismo.
Uma mente pode conceber uma ferramenta.
Mas a obra material somente aparece quando alguma matéria recebe sua organização.
Das relações
Seção intitulada “Das relações”Biritkīn oferece posição e disposição à matéria.
Napḫuṣur permite que ela seja movimentada e transformada.
As Forças Naturais fazem uma porção de matéria atuar sobre outra.
Banikīn organiza a matéria em novas configurações.
Kīndari conserva essas configurações.
Utaribni desfaz a organização e permite que suas partes retornem a outros usos.
Na fórmula ishkariana:
Zumrukīn recebe.