Dos ciclos
A história cosmológica de Calimera organiza-se em ciclos maiores.
Dentro de cada ciclo maior, Caos e Inanis alternam períodos de governo chamados Domínios.
Da palavra Domínio
Seção intitulada “Da palavra Domínio”Neste contexto, Domínio significa um período cosmológico durante o qual Caos ou Inanis permanece desperto e governa as condições fundamentais da realidade.
Esse uso não deve ser confundido com o Domínio constitutivo de uma divindade.
Assim:
- o Domínio de uma divindade é aquilo que ela ontologicamente é;
- um Domínio temporal é um período de governo dentro de um ciclo maior.
Da estrutura de um ciclo maior
Seção intitulada “Da estrutura de um ciclo maior”Cada ciclo maior possui:
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Quantidade de Domínios | 2 × 10¹⁰⁰ |
| Duração de cada Domínio | 10¹⁰⁰ anos |
| Duração total | 2 × 10²⁰⁰ anos |
| Primeiro governante | Inanis |
| Último governante | Caos |
A alternância pode ser representada assim:
Inanis → Caos → Inanis → Caos → … → Inanis → Caos
O ciclo começa com Inanis.
O ciclo termina com Caos.
Limbo não governa Domínios temporais.
Do primeiro Domínio
Seção intitulada “Do primeiro Domínio”O primeiro ciclo maior começou com um Domínio vazio de Inanis.
Ainda não havia uma criação anterior dentro de Calimera para ser apagada.
Depois desse primeiro período, Caos despertou e iniciou automaticamente a primeira criação.
Dos Domínios de Inanis
Seção intitulada “Dos Domínios de Inanis”Quando Inanis desperta, toda criação alcançável é apagada por destruição verdadeira.
Durante um Domínio de Inanis:
- Caos dorme completamente;
- nenhuma criação nova é iniciada;
- permanecem apenas estruturas e entidades que Inanis não consegue apagar;
- Limbo conserva registros daquilo que foi destruído.
Inanis não escolhe poupar indivíduos.
Uma entidade pode sobreviver apenas quando:
- possui proteção ontológica específica contra o apagamento;
- encontra-se fora do universo de Calimera durante a transição;
- pertence a uma condição ainda não alcançável pela destruição de Inanis.
Uma proteção contra o apagamento não concede invulnerabilidade universal.
O sobrevivente ainda pode ser afetado por magia, desejos, danos, aprisionamento e outras alterações.
Do apagamento e dos registros
Seção intitulada “Do apagamento e dos registros”Quando uma pessoa, povo ou mundo é apagado, Limbo pode conservar seu registro.
Esse registro não significa que aquilo continua existindo.
Não é:
- ressurreição;
- sobrevivência;
- continuidade da consciência;
- preservação integral da identidade;
- transferência automática para um pós-vida.
Limbo conserva informação sobre o que existiu.
A informação não é a própria pessoa.
Dos Domínios de Caos
Seção intitulada “Dos Domínios de Caos”Quando Caos desperta, uma criação nova começa automaticamente.
Durante um Domínio de Caos:
- Inanis dorme completamente;
- uma nova realidade é iniciada;
- Caos cria, realiza, mantém e recicla;
- formas de vida podem surgir;
- deuses de Caos reaparecem;
- conhecimentos de Inanis podem vazar inconscientemente.
A configuração inicial da criação não é inteiramente escolhida por Caos.
Depois de seu início, Caos pode modificá-la.
Da independência das criações
Seção intitulada “Da independência das criações”A criação de um novo Domínio de Caos não é a restauração da realidade anterior.
Os registros de Limbo não são utilizados como projeto.
O novo mundo não é reconstruído peça por peça a partir do que foi apagado.
Trata-se de uma criação nova e independente.
Das funções recorrentes
Seção intitulada “Das funções recorrentes”Certas funções cosmologicamente indispensáveis reaparecem em todos os Domínios de Caos.
Isso inclui padrões divinos necessários ao funcionamento da existência.
Entretanto, recorrência não significa ressurreição.
Uma nova versão:
- não possui automaticamente a memória da anterior;
- não conserva sua identidade pessoal;
- não é a mesma consciência;
- pode possuir comportamento e manifestação diferentes.
O padrão retorna.
O indivíduo não.
Das recorrências imprevisíveis
Seção intitulada “Das recorrências imprevisíveis”Além das funções indispensáveis, outras coisas podem reaparecer:
- pessoas;
- espécies;
- lugares;
- povos;
- estruturas;
- deuses;
- acontecimentos semelhantes.
Essas recorrências não são garantidas.
Também podem surgir formas e histórias que nunca existiram anteriormente.
Caos produz novidade genuína.
Do Quarto
Seção intitulada “Do Quarto”Cada ciclo maior produz seu próprio Quarto.
O Quarto precisa:
- ser verdadeiramente vivo;
- possuir Corpo, Mente e Essência próprios;
- possuir Alma;
- pertencer à cadeia causal dos Algo Além;
- manter ligação causal com Caos, Inanis e Limbo;
- satisfazer o gatilho específico de seu ciclo.
Nenhuma entidade escolhe arbitrariamente quem se tornará O Quarto.
A função emerge quando todos os requisitos são satisfeitos.
No ciclo atual, O Quarto é Eco.
Da Amálgama
Seção intitulada “Da Amálgama”Quando um ser assume a função do Quarto, recebe o Domínio da Amálgama.
Seu Domínio anterior não é substituído.
Ambos passam a coexistir.
A Amálgama permite a relação necessária para unir temporariamente:
- Caos;
- Inanis;
- Limbo;
- O Quarto.
Do fim de um ciclo maior
Seção intitulada “Do fim de um ciclo maior”O último período de cada ciclo maior é um Domínio de Caos.
Quando esse Domínio se aproxima do fim, existem dois desfechos fundamentais:
- conclusão do ritual;
- encerramento sem ritual.
Do desfecho com ritual
Seção intitulada “Do desfecho com ritual”Mortais descobriram um ritual capaz de recompor temporariamente a entidade inicial.
O ritual exige a amálgama entre:
- Caos;
- Inanis;
- Limbo;
- O Quarto.
O Quarto somente participa quando é escolhido para isso.
Cada executor do ritual leva um desejo.
A entidade inicial ressurge temporariamente, realiza os desejos e volta a dividir-se.
Um novo ciclo maior pode então começar.
Ao final, as memórias do acontecimento são apagadas.
Da renovação
Seção intitulada “Da renovação”Na renovação:
- Caos, Inanis e Limbo podem voltar a separar-se;
- um novo ciclo maior pode começar;
- o Gesto Criador é renovado;
- o Quarto não reaparece posteriormente como o mesmo indivíduo separado.
Corpo, Mente e Essência do Quarto são funcionalmente convertidos na renovação do Gesto Criador do ciclo seguinte.
O mecanismo exato dessa conversão permanece aberto.
Do desfecho sem ritual
Seção intitulada “Do desfecho sem ritual”Caso o último Domínio de Caos termine sem que o ritual seja concluído, o ciclo maior não é prolongado.
Toda a realidade encolhe até uma singularidade.
A entidade inicial renasce automaticamente, mas não volta a dividir-se.
Ela se fecha definitivamente.
Não existe nova criação.
Da eternidade fechada
Seção intitulada “Da eternidade fechada”Nesse desfecho, a entidade inicial revive eternamente as memórias de todas as pessoas de todos os ciclos maiores, conservadas no arquivo de Limbo.
Não surgem:
- novos mundos;
- novas vidas;
- novos ciclos;
- novas experiências.
Resta apenas a repetição eterna de tudo aquilo que já foi vivido e registrado.
Do estado atual
Seção intitulada “Do estado atual”A realidade atual encontra-se no:
Último Domínio de Caos do ciclo maior atual.
Eco já se tornou O Quarto.
O destino final ainda não está fixado.
A descoberta, preparação, conclusão ou abandono do ritual dependem dos acontecimentos do ciclo atual.
Da fórmula dos ciclos
Seção intitulada “Da fórmula dos ciclos”Inanis apaga.
Caos cria novamente.
Limbo conserva os registros.
O Quarto permite a renovação.