Kyronis — Povo da Condução
Povo: Kyronis.
Título tradicional: Povo da Condução.
Tradição: Renshatai.
Conceitos centrais: posição, relação, passagem, diferença e transformação.
Das três posições
Seção intitulada “Das três posições”A tradição kyroniana ensina que, quando o mundo pôde começar, três posições surgiram conjuntamente:
- Haerye — Existência;
- Saerye — Semi-existência;
- Norye — Não existência.
A terminação -rye não significa exatamente estado, lugar ou substância.
Indica a posição assumida dentro de uma relação.
De Haerye
Seção intitulada “De Haerye”Haerye é aquilo que se encontra suficientemente determinado para participar das relações como presença.
Pedras, medos, fronteiras e promessas podem ocupar Haerye quando existem de maneira operante.
De Norye
Seção intitulada “De Norye”Norye não é vazio, noite, abismo ou reino dos mortos.
Não contém possibilidades aguardando uso.
Não possui memória.
Não pode ser visitada.
Uma porta para Norye seria contraditória, pois qualquer porta já seria alguma coisa existente.
De Saerye
Seção intitulada “De Saerye”Saerye não significa existir pela metade.
É uma posição sustentada por:
- relações;
- passagens;
- vestígios;
- possibilidades efetivas;
- continuidades incompletas.
Um morto pode continuar relacionado ao mundo por sua obra, memória ou consequência sem retornar à presença que possuía em vida.
Um projeto interrompido pode continuar como possibilidade efetiva se relações materiais e sociais ainda o sustentarem.
Da simultaneidade
Seção intitulada “Da simultaneidade”As três posições não surgiram em sequência.
Nenhum polo pode ser reconhecido sem uma relação que o diferencie de outro.
O intermediário não é servo dos extremos.
Ele os torna distinguíveis, recebe sua tensão e possibilita transformação.
Por isso se ensina:
Nenhum Um nasce sozinho.
Nenhum Dois permanece dois.
Onde há diferença, o Terceiro já caminha.
Do Renshatai
Seção intitulada “Do Renshatai”A raiz do nome Renshatai designava originalmente condução.
Podia significar:
- levar água por um canal;
- conduzir calor por metal;
- transportar notícia por uma estrada;
- guiar uma pessoa por passagem perigosa.
Mais tarde, passou a representar aquilo que torna uma transformação possível.
A Primeira Renshatai não foi criatura ou ordem divina.
Foi relação tornando-se movimento.
De Haer, Sair e Toran
Seção intitulada “De Haer, Sair e Toran”Céu, Ar e Terra formam uma imagem concreta do funcionamento ternário:
- Haer oferece limite;
- Toran oferece resistência;
- Sair recebe movimento e passagem.
Nenhuma posição é eterna.
Um intermediário pode tornar-se extremo.
Um extremo pode assumir a posição de mediação.
Mudar de posição altera aquilo que uma coisa é, porque identidade e relação não podem ser completamente separadas.
De Sharye
Seção intitulada “De Sharye”Quando uma diferença encontrou caminho entre posições distintas, surgiu o primeiro clarão.
A tradição chama esse acontecimento de Sharye.
O raio não criou o mundo.
Mostrou que o mundo já podia conduzir.
Das tríades
Seção intitulada “Das tríades”Nem todo conjunto de três coisas constitui uma tríade significativa.
É necessário haver:
- diferenças operantes;
- relação real;
- tensão;
- um terceiro elemento capaz de mediar ou transformar.
Esse terceiro elemento pode ser objeto, pessoa, gesto, regra ou passagem.
Da vida social
Seção intitulada “Da vida social”A tradição da Condução influenciou a organização kyroniana de:
- redes;
- arquivos;
- estradas;
- energia;
- comunicação;
- administração;
- ensino;
- infraestrutura.
Conduzir não significa apenas transportar alguma coisa intacta.
Toda passagem pode alterar aquilo que atravessa.
Da fórmula
Seção intitulada “Da fórmula”A diferença não basta.
É preciso que exista caminho entre aquilo que difere.