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Tenebris — Luz

Classificação: falso deus do Caos; antigo deus maior, posteriormente rebaixado à condição de deus menor.

Domínios: Luz, paradoxos, ironias e memórias.

Tenebris é o deus da Luz.

Seu Domínio também foi ampliado e remodelado por associações com paradoxos, ironias e memórias.

A Luz torna partes do mundo observáveis, mas aquilo que revela depende de posição, intensidade, direção, meio e observador.

Ela pode esclarecer.

Pode ofuscar.

Pode produzir sombra.

Pode ocultar detalhes por excesso de brilho.

A própria Luz contém condições capazes de produzir resultados aparentemente contraditórios.

Tenebris ocupou anteriormente a posição de deus maior.

Posteriormente, foi rebaixado à categoria dos deuses menores.

Seu rebaixamento integra sua história divina, mas não removeu seus Domínios nem reduziu sua existência a uma simples divindade elemental.

Tenebris continua sendo um caso excepcional dentro da classificação dos deuses do Caos.

Tenebris manifesta-se como uma criatura composta por características de diferentes aracnídeos.

Não corresponde integralmente a aranha, escorpião, opilião, ácaro ou qualquer outra linhagem conhecida.

Sua manifestação reúne estruturas reconhecíveis em uma anatomia que não pertence a nenhum animal real.

Possui chifres, mas não possui olhos comuns.

Percebe todo o espectro luminoso, inclusive faixas invisíveis para a maioria dos mortais.

Tenebris abriga três vozes internas permanentes:

  • Lume;
  • Umbra;
  • Penumbra.

Elas podem discordar, interpretar acontecimentos de maneiras diferentes e disputar a orientação de uma ação.

Externamente, Tenebris fala em uníssono.

Para quem o escuta, a fala apresenta-se como uma única voz formada pela coincidência das três.

Sob sobrecarga, manifesta-se uma quarta condição chamada Oblívio.

Oblívio não participa normalmente da deliberação interna.

Surge quando a tensão, o excesso de estímulos, as contradições ou o desgaste ultrapassam aquilo que as três vozes conseguem sustentar.

Sua aparição representa perda, apagamento e interrupção da organização que mantém as demais vozes em relação.

Tenebris não é o deus de qualquer erro lógico.

Seus paradoxos surgem de situações nas quais aspectos verdadeiros parecem produzir conclusões incompatíveis.

A Luz revela e cega.

A sombra depende da Luz.

Uma memória preserva algo que já não está presente.

Uma ironia afirma uma coisa enquanto produz outra compreensão.

Tenebris habita essas relações.

A ironia não é apenas humor.

É a distância entre:

  • intenção e resultado;
  • aparência e estrutura;
  • declaração e compreensão;
  • memória e acontecimento;
  • luz lançada e coisa revelada.

Tenebris reconhece essas distâncias e frequentemente age através delas.

A memória de Tenebris não é a Memória Material de Sidarius.

Sidarius lê consequências organizadas preservadas na matéria.

Tenebris relaciona-se à memória enquanto presença de algo ausente, reconstrução incompleta e iluminação seletiva do passado.

Recordar é lançar luz sobre aquilo que já não está diante do observador.

Essa luz nunca restitui integralmente o acontecimento original.

Lume, Umbra e Penumbra discordam internamente.

A voz externa, entretanto, permanece una.

Esse contraste é central para compreender Tenebris:

Aquilo que fala como um pode continuar sendo uma relação entre muitos.

A Luz mostra.
A Luz esconde.
A memória ilumina aquilo que já não existe.