Sidarius — Terra e Memória Material
Classificação: falso deus do Caos; deus menor.
Domínios: Terra e Memória Material.
Da natureza de Sidarius
Seção intitulada “Da natureza de Sidarius”Sidarius é o deus menor da Terra e da Memória Material.
A Terra de Sidarius não significa toda a matéria existente. Seu Domínio concentra-se no solo, na rocha, nos sedimentos, nas estruturas geológicas e na capacidade material de conservar consequências de acontecimentos.
Da manifestação
Seção intitulada “Da manifestação”Sidarius manifesta-se como uma criatura colossal semelhante a um tatu, sem pertencer a qualquer linhagem animal.
Seu corpo é coberto por uma couraça extremamente resistente.
Possui estruturas protetoras nas patas, empregadas para sustentar o corpo, escavar ou fechar-se ao redor dele.
Não possui olhos comuns.
Seus chifres contêm Marcas do Caos pelas quais percebe a composição, a tensão e a história material do terreno.
Da memória da Terra
Seção intitulada “Da memória da Terra”Sidarius não criou a Terra.
Não criou a matéria.
Também não tornou a matéria capaz de conservar acontecimentos.
Essa capacidade já existia.
Sidarius precisou descobri-la.
Da Primeira Guerra
Seção intitulada “Da Primeira Guerra”Durante a Primeira Era, os deuses menores receberam criaturas que lhes fariam companhia.
Essas criaturas não possuíam Alma, mas falavam, desejavam, escolhiam, aprendiam e ambicionavam.
Posteriormente, rebelaram-se contra os deuses, dando origem à primeira grande guerra de Calimera.
Sidarius participou dos combates.
Após uma batalha, retornou ao campo e percebeu que determinados lugares continuavam diferentes mesmo depois da retirada dos corpos, da chuva, do fogo e do colapso do terreno.
O solo dizia mais que suas crateras.
A pedra dizia mais que suas fraturas.
Da descoberta
Seção intitulada “Da descoberta”Os lugares nos quais as criaturas sem Alma haviam vivido, lutado e morrido ainda conservavam algo delas.
Não era espírito.
Não era Chama.
Não era uma Alma aprisionada.
Era consequência organizada.
Sidarius encontrou memória de seres que nunca haviam possuído Alma.
Então compreendeu:
A Terra não conserva porque alguma coisa teve Alma.
Conserva porque alguma coisa aconteceu.
Da investigação
Seção intitulada “Da investigação”Sidarius não anunciou imediatamente uma verdade.
Duvidou.
Retornou a outros campos.
Comparou regiões atingidas e intactas.
Recolheu materiais.
Testou distâncias.
Examinou sangue divino e matéria comum.
Esperou e comparou novamente.
Assim descobriu que:
- materiais diferentes conservam partes diferentes de um acontecimento;
- os resíduos não persistem todos pelo mesmo período;
- acontecimentos posteriores podem mascarar os anteriores;
- a história prévia de uma amostra altera sua resposta;
- não existe apenas um tipo de memória material.
Do ensinamento
Seção intitulada “Do ensinamento”Sidarius não deu memória à pedra.
Ensinou os vivos a lê-la.
Essa distinção tornou-se central para a tradição averniana: conhecimento não é necessariamente a recepção de uma revelação divina. Pode nascer da observação, da dúvida, da comparação e da correção.
Da estabilidade
Seção intitulada “Da estabilidade”Sidarius também representa a firmeza e a estabilidade da Terra.
Isso não significa imobilidade absoluta.
Montanhas erodem.
Solos deslocam-se.
Camadas dobram-se.
Estruturas ruem.
A estabilidade é a permanência relativa de uma configuração material, não sua eternidade.
Da fórmula
Seção intitulada “Da fórmula”Tudo o que acontece deixa alguma coisa.
Ler a Terra é descobrir o que ainda permanece agindo.