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Undaris — Água

Classificação: falso deus do Caos; deus menor.

Domínio: Água.

Associações religiosas: mudança e passagens.

Undaris é o deus menor da Água.

Seu Domínio abrange a água em seus movimentos, acumulações, transformações e percursos.

Rios, mares, chuva, correntes, umidade e águas subterrâneas são manifestações diferentes do mesmo Domínio.

Undaris manifesta-se como uma enorme criatura semelhante a um peixe, sem pertencer a qualquer linhagem animal.

Sua forma altera-se conforme o meio aquático pelo qual atravessa.

Não possui olhos comuns.

Percebe o mundo pelos movimentos da água, pelas mudanças de pressão, pelas correntes, pelas marés e pelas perturbações produzidas por corpos em contato com seu Domínio.

A Água não permanece necessariamente onde está.

Evapora.

Condensa.

Congela.

Derrete.

Infiltra-se.

Escorre.

Acumula-se.

Retorna.

Por isso Undaris tornou-se associado à mudança.

Essa associação não significa que toda transformação pertença a ele. Significa que a Água demonstra continuamente como uma mesma matéria pode atravessar estados, lugares e funções sem deixar de possuir continuidade.

A Água pode separar territórios, mas também pode conectá-los.

Rios formam caminhos.

Mares permitem travessias.

Chuvas ligam atmosfera e solo.

Correntes transportam matéria, calor, organismos, embarcações e vestígios.

Por isso Undaris também é associado às passagens: não apenas à chegada a outro lugar, mas à transformação sofrida durante o percurso.

A Água desgasta pedra.

Desloca sedimentos.

Destrói margens.

Afoga cidades.

Também forma vales, deposita nutrientes, sustenta organismos e abre novas rotas.

A tradição de Undaris não trata criação e destruição como opostos simples.

A corrente que remove material de uma margem pode formar outra mais adiante.

Em Nalura, tradições associadas a Undaris empregam a água em cerimônias de transição.

Banhos, travessias, mudanças de margem e deslocamentos por corrente representam a passagem entre estados sociais, fases da vida ou condições políticas.

A água ritual não apaga automaticamente aquilo que veio antes.

Ela marca que aquilo que atravessou não ocupa exatamente a mesma posição que ocupava ao entrar.

A água não pergunta se deve mudar.
Muda porque encontrou caminho.