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Nemen

Classificação: único falso deus do Limbo.

Origem: filho do Limbo.

Domínios: continuidade, mudança e operação dos ciclos.

Epítetos mortais: O Andarilho da Penumbra.

Epíteto divino: A Vontade Viva.

Nemen é a vontade individual surgida do Limbo.

Limbo armazena.

Limbo calcula.

Limbo preserva possibilidades.

Nemen escolhe.

Nemen deseja.

Nemen age.

Por isso ele não deve ser entendido como um simples corpo utilizado pelo Limbo. Possui vontade própria, interesses próprios e uma identidade distinta de sua origem.

Nemen é chamado de filho do Limbo.

Essa filiação não corresponde necessariamente a reprodução biológica ou à criação de um corpo separado por métodos mortais.

Nemen é uma versão autônoma daquilo que no Limbo permanece sem iniciativa individual.

Onde Limbo calcula caminhos possíveis, Nemen pode escolher caminhar por um deles.

Onde Limbo conserva estados, Nemen pode atravessá-los.

Onde Limbo não executa, Nemen opera.

Nemen atua sobre aquilo que persiste através de alterações.

Continuidade não significa imobilidade.

Uma coisa pode mudar de forma, lugar, estado ou função e ainda conservar alguma relação com aquilo que era.

Nemen relaciona-se ao fio que permite reconhecer permanência dentro da transformação.

A mudança de Nemen não é criação absoluta nem destruição verdadeira.

É passagem entre estados.

Algo deixa de ocupar uma condição e passa a ocupar outra.

Uma identidade pode sobreviver parcialmente.

Uma forma pode desaparecer.

Uma função pode continuar em outro suporte.

Nemen percorre essas transições.

Nemen relaciona-se à passagem entre fases, estados e ciclos.

Ele não é Caos, que cria, mantém e recicla a existência.

Não é Inanis, que observa, desmonta, analisa e destrói verdadeiramente.

Também não é o próprio Limbo, que armazena e calcula.

Nemen atua na continuidade operacional entre aquilo que termina, aquilo que permanece possível e aquilo que começa a acontecer.

Nemen possui uma relação singular com a Clepsidra Eterna.

Ele é o único ser capaz de interagir diretamente com ela.

A Clepsidra não é apenas um relógio ou instrumento de medição. Ela fornece sequência e duração aos processos de Calimera.

Por isso a relação de Nemen com ela não equivale a mover ponteiros, consultar horas ou observar um calendário.

Interagir com a Clepsidra significa tocar a própria condição pela qual processos possuem duração, sucessão e continuidade.

Entre os mortais, Nemen é chamado de O Andarilho da Penumbra.

Ele aparece especialmente em lugares ou situações nos quais alguma coisa ficou presa entre estados:

  • entre presença e ausência;
  • entre existência e não existência;
  • entre permanência e apagamento;
  • entre um ciclo encerrado e outro ainda não iniciado;
  • entre uma identidade perdida e aquilo que ainda resta dela.

Nemen pode ajudar seres presos nessas condições a escapar.

Essa ajuda não nasce necessariamente de compaixão, dever ou justiça.

Frequentemente ele interfere porque considera a situação interessante.

Para Nemen, retirar alguém de uma impossibilidade pode ser auxílio, experimento e entretenimento ao mesmo tempo.

Nemen pode manifestar-se entre os mortais.

Entretanto, sua aparência nunca é recordada integralmente.

Testemunhas preservam fragmentos:

  • uma cor;
  • um movimento;
  • uma expressão;
  • a impressão de uma presença;
  • a certeza de que alguém estava ali.

A descrição completa desaparece ou torna-se contraditória.

Duas pessoas podem lembrar aspectos diferentes sem que nenhuma consiga reconstruir a manifestação inteira.

Nas descrições que sobrevivem, o vermelho aparece como sinal do Limbo.

Nemen também apresenta olhos de cores diferentes:

  • azul, associado ao Caos;
  • amarelo, associado a Inanis.

Essas cores indicam que Nemen nasceu do Limbo, mas consegue relacionar-se com as outras partes da arquitetura triádica.

Elas não significam que Nemen seja parte de Caos ou de Inanis.

Nemen sofre um processo contínuo de erosão da memória e da identidade.

Ele pode perder:

  • acontecimentos;
  • nomes;
  • detalhes;
  • relações;
  • explicações;
  • partes daquilo que acreditava ser.

A erosão não apaga tudo de maneira uniforme.

Os acontecimentos que possuem importância pessoal tendem a permanecer por mais tempo.

Nemen pode esquecer uma era e ainda conservar uma conversa.

Pode esquecer uma sequência de fatos e ainda lembrar quem o feriu.

Pode perder o contexto e preservar o afeto.

Sua continuidade, portanto, não depende de memória perfeita.

Ele continua apesar daquilo que perde.

Nemen governa continuidade enquanto sua própria identidade sofre erosão.

Governa mudança enquanto tenta conservar aquilo que considera importante.

Opera ciclos enquanto perde partes dos ciclos que atravessou.

Essa contradição não é uma falha externa ao deus.

É parte de sua existência.

Nemen pode entrar, atravessar e operar no Limbo sem deixar de ser um indivíduo.

Entretanto, não controla integralmente sua origem.

Limbo não é um reino possuído por Nemen.

Também não é um instrumento obediente a ele.

Limbo continua armazenando e calculando segundo sua própria constituição.

Nemen é sua vontade viva, não seu soberano.

Nemen ocupa uma posição incomum entre as operações da Tríade.

Caos produz e transforma existência.

Inanis compreende desfazendo.

Limbo conserva e calcula.

Nemen pode atravessar os intervalos produzidos por essas operações.

Seu vínculo cromático com Caos e Inanis representa essa possibilidade de trânsito, não pertencimento ou submissão.

Nemen não é O Quarto.

Também não é Eco.

Eco nasceu da transformação temporal do Limbo convertida em uma entidade própria.

Nemen é a vontade autônoma originada do Limbo.

Ambos possuem relação profunda com o Limbo, mas suas origens, identidades e funções não são intercambiáveis.

Encontrar Nemen raramente produz uma narrativa limpa.

Uma pessoa pode lembrar que foi retirada de um lugar impossível sem recordar como.

Pode lembrar uma pergunta sem recordar a voz.

Pode reconhecer o nome de Nemen sem saber quando o ouviu.

Pode conservar a certeza de ter feito um acordo e ainda assim desconhecer seus termos.

Isso não significa necessariamente que Nemen esteja mentindo ou removendo deliberadamente as lembranças.

A própria relação entre sua manifestação e a memória mortal é instável.

Limbo calcula a passagem.
Nemen decide atravessá-la.

E também:

Ele perde aquilo que viveu,
mas continua sendo aquele que atravessou.